12.27.2012

horas depois do fim ele escreveu num papel a frase que já lhe dissera antes, sinto a tua falta como se vivesses em mim. estava escrito, podia ser visto por quem quisesse e soubesse. aquela dor podia ser lida por toda a gente a quem o vento levasse o papel. decidiu que a dor dele seria de quem o vento escolhesse. quis, ao escrevê-la, livrar-se dela porque já nem o seu peso nas lágrimas conseguia suportar.

ao mesmo tempo, na outra ponta da cidade ela também chorava sentindo nas veias o peso da decisão. sabia que podia ter escolhido partir antes do tempo, se é que existe tempo nestas coisas da paixão. não sei se amanhã vou sentir falta do teu corpo na cama, mas hoje ainda procuro o teu abraço, ainda sinto a tua mão no meu peito.

durante anos nunca mais se viram, nunca voltaram a falar-se, mas ele ainda a lembra descalça pela casa e em algumas noites mais rigorosas ela ainda acorda durante a noite sentindo a boca dele na sua nuca.

12.26.2012

::even in the darkness there's always a certain light

precisamos do escuro tanto quanto precisamos da luz.
é no escuro que acontecemos, a vida vive da luz e da escuridão intercaladas mas só nos transcendemos no escuro. graças a Deus há brechas de claridade colocadas estrategicamente na direcção de coisas bonitas para não as esquecermos. ainda bem que é assim porque só conseguimos vê-las de vez em quando, embora estejam lá sempre.

12.01.2012

:: todas estas saudades de conversas que não tivemos

por cá vamos indo. os dias correm como loucos fazendo pouco da nossa vontade de calma e nós vamos fechando os olhos à quantidade de vezes que nos afundamos nele. tem dias que realizamos que não falamos há meses com aquele amigo de sempre, com a prima que é a coisa mais próxima de um irmão que conhecemos e que as horas que dedicamos à avó são curtas em compraração com o que devia. nessa altura uma tristeza violenta amachuca-nos os estômago.

na televisão as notícias são tristes, são histórias de um país que vai morrendo aos bocadinhos e ao meu lado também há pessoas a morrer um bocadinho todos os dias com corações mais cinzentos do que antes. deve ser por isso o medo silencoso a ferir-me a garganta às vezes. em dias assim lembro-te mais, avô.

tirando isso tudo, às vezes uma saudade brutal de escrever. acho que me esqueci disso também. não é por falta de tema mas não tenho sentido as dores e a alegria em palavras. já pensei que o silêncio de hoje talvez seja melhor que as palavras de tantos anos, a idade também já não se dobra aos exageros do coração.

sabes uma coisa? tenho pensado que esta tua ausência faz escuro nos olhos, mas sei que isso pouco importa porque me ensinaste uma vez que não são os olhos que realmente vêem. terias gostado de saber que estes dias de Inverno têm estado frios, mas bem bonitos.