outubro é mês de regressar a casa
e procurar ainda nos poros um pedaço de tacto perdido.
de esperar da chuva um hálito fresco familiar embora
nem sempre nos intervalos das gotas haja respostas para a desilusão dos homens.
em outubro os amantes não são feitos de palavras, de segredos, ou de promessas.
são gente de carne, e osso, e sangue, que se encontra num deserto comum para adiar o desamparo
de demasiadas ausências.
10.24.2013
10.23.2013
:: thirties are the new twenties... are they really?
a primeira vez que ouvi a frase foi em frente a um ecrã de televisão. Carrie Bradshaw dizia às amigas e a todas nós que assistíamos, também amigas - thirties are the new twenties. a ideia era simpática e colou. fez-me todo o sentido. depois dessa epifania repeti isto milhares de vezes nos últimos anos a mim própria e as pessoas à minha volta também o diziam. era tão reconfortante essa sensação de despreocupação face à angústia geracional de aos vinte e tais ainda andarmos perdidos em relação à vida que queríamos ter.
e assim aprendemos a responder a essa angústia com a convicção de que estávamos todos uma década atrasados e que tínhamos todo o tempo do mundo, ou pelo menos dez anos, para testar e errar. estávamos apenas presos a uma sensação de atraso causada pela transição de uma geração - a dos nossos pais, que aos trinta estavam na meia idade - para a nossa, que aos 20 ainda não sabemos bem o que fazer da vida.
aos trinta e tais (10 anos mais tarde) percebi que Carrie Bradshaw pode ter sido prejudicial a uma geração inteira ao proclamar a trivialização daquela que pode ser a década mais importante da nossa vida e ao incentivar a procrastinação do plano de vida de cada um de nós.
Megan Jay, em The Defining Decade, sugere que os nossos vinte e tais são o momento em que as coisas que fazemos - e sobretudo as que não fazemos - têm um efeito crucial no nosso futuro, na nossa vida e nas pessoas em que nos transformamos. depois de perceber isto entendo porque tenho tantas vezes a sensação de que à medida que os anos passam as pessoas vão perdendo potencial.
80% of life's most defining moment happen before thirty-five.(...)
The real take-home message about the still-developing 20something brain is that whatever it is you want to change about yourself, now is the easiest time to change it. Is your 20something job, or hobby, making you smarter? Are your 20something relationships improving your personality or are they reinforcing old patterns and teaching bad habits?
e assim aprendemos a responder a essa angústia com a convicção de que estávamos todos uma década atrasados e que tínhamos todo o tempo do mundo, ou pelo menos dez anos, para testar e errar. estávamos apenas presos a uma sensação de atraso causada pela transição de uma geração - a dos nossos pais, que aos trinta estavam na meia idade - para a nossa, que aos 20 ainda não sabemos bem o que fazer da vida.
aos trinta e tais (10 anos mais tarde) percebi que Carrie Bradshaw pode ter sido prejudicial a uma geração inteira ao proclamar a trivialização daquela que pode ser a década mais importante da nossa vida e ao incentivar a procrastinação do plano de vida de cada um de nós.
Megan Jay, em The Defining Decade, sugere que os nossos vinte e tais são o momento em que as coisas que fazemos - e sobretudo as que não fazemos - têm um efeito crucial no nosso futuro, na nossa vida e nas pessoas em que nos transformamos. depois de perceber isto entendo porque tenho tantas vezes a sensação de que à medida que os anos passam as pessoas vão perdendo potencial.
80% of life's most defining moment happen before thirty-five.(...)
The real take-home message about the still-developing 20something brain is that whatever it is you want to change about yourself, now is the easiest time to change it. Is your 20something job, or hobby, making you smarter? Are your 20something relationships improving your personality or are they reinforcing old patterns and teaching bad habits?
What you do everyday is wiring you to be the adult you will be.
That's one reason I love working with 20somethings: They are so darn
easy to help because they--and their brains and their lives--can change
so quickly and so profoundly.
é difícil aceitar isto, sobretudo quando se tem trinta e tais, mas as escolhas que fazemos aos 20 e tais são realmente cruciais. não fazer uma escolha é, em si, uma escolha.
10.09.2013
10.07.2013
depois de demasiados meses sem blogues no meu dia-a-dia leio este post e, por muito que reconheça a beleza do poema e a verdade das palavras, não é nenhuma dessas duas coisas que me toca. é apenas perceber que o primeiro pensamento que me ocorre é que não seria capaz de ter, como tu tiveste, um poema como este no meu local de trabalho. não conseguiria olhar para ele todos os dias sem me sentir despida, exposta, vulnerável. sem sentir necessidade de pensar em respostas-tipo quando me viessem comentar o mesmo.
e então percebo que a maior vulnerabilidade é a minha, que a maior fraqueza é a não-coragem de nos assumirmos e esta facilidade que me escorre do corpo em mediocrizar-me tornando-me baça em prol da homogeneidade, da conciliação, da correspondência.
e então percebo que a maior vulnerabilidade é a minha, que a maior fraqueza é a não-coragem de nos assumirmos e esta facilidade que me escorre do corpo em mediocrizar-me tornando-me baça em prol da homogeneidade, da conciliação, da correspondência.
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