12.26.2014

:: para além daquele amor excessivo, o que nos resta?

sim, o amor também é isto - um leve tocar de pés debaixo da manta no sofá, em frente à TV.
é preciso deixar entrar a normalidade apesar de todos os medos, senão era só desejo. nem que isso implique aceitar os perigos desse monstro - a normalidade - e saborear apenas uma noite fria debaixo da manta no sofá.
é até aconselhável ceder interrupções ao amor explosivo porque amar assim, cansa. não tem espaço para os outros, para o trabalho, para nós próprios. esse amor subsiste na cama, alimenta-se de beijos e sexo e respira pelas narinas do outro, sua pelos poros do outro.
vamos lá então deixar cair a normalidade, aceitar uma ou outra certeza, mas não nos esqueçamos como nos apaixonámos ali, no átrio daquela igreja, em cinco segundos.

bem sei que não controlamos nada, 
nem o amor, nem nós próprios por isso, olha... pega a minha mão e leva-me.

12.12.2014

:: o Inverno perto de casa

o sol atrasou-se hoje - já é Dezembro.
a subir as escadas para o Príncipe Real, o casaco aperta-se até ao pescoço e dão vontade de rir os fuminhos que se soltam da garganta [em miúda esperava pelo Inverno para fingir que sabia fumar.]
nesta cidade até o Inverno é bonito, até a noite traz raios de sol. Lisboa é como Dezembro - uma promessa de renovação, um grito de uma alegria contida, melancólica e misteriosa como se quer qualquer objeto de desejo. há lugares que só por serem como são, pela sua honesta simplicidade, nos pertencem como outros não conseguem. o frio deste anoitecer de hoje aquece-me o coração, como às vezes nenhum sol de Verão.
e isto tudo, no curto caminho para casa.