2.09.2009

::Vicky Cristina through a Revolutionary Road

em curta distâncica de tempo, dois filmes com temáticas semelhantes - pessoas que esperam mais (talvez demais) da vida. não sabem exactamente o que desejam mas sabem que o que têm não chega. e a tela é essa procura da paixão, do romance, do desejo, da dor, da  intensidade. Mais. Maior. Mais profundo. 

um tema popular nos dias que correm, esta insatisfação...


1.28.2009

a pessoa perde a dignidade na doença. 
já não basta a doença em si, traiçoeira,  de mansinho,  para apanhar toda a gente desprevenida. não basta a fraqueza no corpo, as dores, a impotência, a depressão. todos os pensamentos terminais. não chegam os vómitos, a falta de apetite, os suores, a febre. ver os outros, os que gostam de nós, no quarto, à volta da cama, à espera que a doença desista. e ela não desiste, a estúpida. não basta ter de deitar cá para fora um "sinto-me melhor" para convencer os outros, os que estão de fora a suster a respiração e com ela as lágrimas. Não basta a porra do sofrimento, a incógnita, os 84 anos, a vida a passar-nos à frente, a mulher, os filhos, os netos. a nossa história. não basta isso tudo, não. a doença não se dá por satisfeita, rouba também a dignidade, o aspecto, o brilho, o sorriso, a independência. 

1.26.2009

estava certa de que a tristeza me empurrava para aqui, sempre. era como se a vontade de escrever só surgisse da melancolia. mas depois senti uma coisa muito maior, mais profunda e tão cheia de impotência que, pela primeira vez, na tristeza, não tive vontade de aqui vir. 


1.22.2009

:: procrastinação


tenho andado 


dispersa, desconcentrada,
alienada,
desfocada, desamparada
sem rumo

é tempo de acordar... ainda bem que tenho o fim-de-semana para me habituar à ideia!

:: a idade da inocência já era, amiga!

confesso... estas* notícias ainda me transtornam um pouco. não tanto como antes, que uma pessoa habitua-se a tudo e a trafulhice não é excepção. mas porra, ainda não consigo direrir estas coisas como toda a gente à minha volta. falta-me crescer um bocadinho - dizem-me. parece que nos dias que correm a crença nas pessoas e nos bons princípios, é alvo da chacota alheia.

ainda faço aquele ar incrédulo quando dizem que o homem comprou o curso. quando ouço que um banco faliu afundado por fraudes praticadas durante anos a fio e ainda nos querem fazer crer  que ninguém sabia de nada. ainda tremo quando entidades reguladoras e fiscalizadoras como o Banco de Portugal entram no jogo e toda a gente acha normal. ainda me custa acreditar que todas aquelas pessoas que dizem representar os cidadãos foram indiciadas pelo Ministério Público por crimes sexuais. 

não tenho certezas sobre pessoas que respeitava e as quais agora só consigo imaginar em orgias com menores. ainda não acredito nisso, nem no resto. mas também não acredito na inocência desta gente. estou no limbo da crença. não tenho opiniões formadas, só me insurjo contra a passividade com que os outros falam disto.

é por isto que não poderia ter sido jornalista... seria "comida" todos os dias. dar-me-iam a volta cá com uma pinta e eu ainda ia ficar com pena dos senhores.

papalva!


*caso Freeport