8.05.2009

:: a viagem

desafiámos a estrada alagada pela chuva e descemos o país. à medida que descíamos, o céu limpava e como as nuvens, dissipava-se também a tensão instalada pelos longos dias de distância. aos Sábados é sempre como começar tudo de novo e não é necessariamente mau. fomo-nos redescobrindo pelo caminho, como fazemos sempre às primeiras horas do fim-de-semana, e quando chegámos já éramos nós outra vez.

quiseste mostrar-me a cidade do sul que eu te confessara não conhecer e tínhamos a missão concreta de te fazer saltar de um aviãozinho teco-teco de pára-quedas. assim que passámos as muralhas, largámos o carro e pusémo-nos a caminho. contaste-me como te recordavas daquela praça que tinhas visitado tantas vezes com o teu pai e de como em todas as visitas compravam uma nova peça para uma qualquer colecção da tua mãe.

passámos a tarde no aeródromo a acumular nervos, a usar o riso como descarga emocional. saltaste porque querias marcar os teus 30 anos dessa forma. não seria o salto a marcar o fim-de-semana. voltámos a entrar na muralha e acho que não voltámos a passá-la, nem mesmo depois de pegarmos o carro e regressarmos a casa.

7.30.2009

:: quase romance, quase...

tu morres. no fim do livro tu morres.

começa assim o livro do Miguel. eu acho genial. o fim não é tão genial como o início, mas o meio é!
Miguel, se leres este post e tiveres curiosidade em conhecer-me o meu número é:

7.24.2009

:: sobre as pessoas que estão juntas pelo medo de ficarem sozinhas

dizias tu que a conversa começou em Havana. jantávamos naquele restaurante onde parecia que existíamos nós os cinco e uma ou duas moscas. os empregados à nossa volta, demasiada solicitude, pouca afluência, comida fraquinha. mas até isso era motivo de brincadeira. estávamos felizes, os cinco. de férias, debitando nonsense com bebidas de hortelã à frente. para quê boa comida?

e tu largaste, a propósito de uma qualquer conversa: "as pessoas só estão juntas porque têm medo de estar sozinhas". creio que não te surpreendes que hoje em dia essas palavras se tenham tornado num dos nossos chavões sempre que falamos de relacionamentos e queremos brincar contigo.

no fundo somos todas muito diferentes mas partilhamos um certo romantismo (será geracional?) e essas tuas tiradas desafiam-nos a crença. mas o mais engraçado é que tu, apesar desse teu cepticismo meio bruto (que acho que verbalizas só porque tiras algum gozo do facto de conseguires chocar à séria as tuas meninas), és o último dos românticos! um dia destes, digo-te porquê, agora não que neste ponto já deves sentir-te demasiado exposto. sabes que gostamos demais de ti para te ouvir dizer estas coisas, assim à bruta, mas até sei onde queres chegar e acho que tens alguma razão. claro, não deixa de ser uma generalização e isso... vale o que vale!

certo é que dou por mim desde essa conversa a olhar para as pessoas à minha volta e a pensar nisso. e não consigo chegar a uma conclusão, porque Amar é algo diferente para cada um de nós. antes de conseguirmos perceber se as pessoas estão juntas por amor ou motivadas por outra coisa qualquer, era preciso saber: o que é o amor afinal?

7.20.2009

:: quero que saibas

até não é o caso hoje. mas as noites são geralmente difíceis e longas. é simples, bem vês que a noite não se fez para a solidão. a noite está guardada o dia inteiro, repousando para o romance. deixa-se sempre o melhor para o fim e com as horas do dia fazemos igual. as minhas noites longas são mais longas porque indissociáveis do teu cheiro e da tua sombra no escuro. mas também estão coladas às tuas ausências. são, por isso, mais tristes.

não me leves a mal, bem sei que não tens remédio, que me querias contigo também, mas repara, a tua voz na penumbra colada ao meu ouvido só acontece à noite e não me consigo esquecer disso nunca. devia?

podia dizer-te que hoje é uma dessas noites longas abafadas pelas ausências... mas não. o calor abate-se pesado sobre mim e este ambiente dos trópicos dá-me tranquilidade no escuro e algum distanciamento para aceitar que talvez estas noites existam para tornar as outras, as que passamos juntos, ainda mais encantadoras.

7.16.2009

:: brincalhões!

ahahahahahahahah! acabei de ver um desafio num blogue que consiste em, imaginem, publicar uma fotografia da nossa secretária no trabalho. ahahahahahahahah não consigo parar de rir!!!! é a mesma coisa que pedir a um desdentado que se ria para a câmera...

7.14.2009

:: parabéns

não posso deixar de assinalar nesta casa os quase-30-anos da boquinha mais doce que praí anda nessa blogosfera. ok há quem a tenha conseguido derreter colocando balões no seu local de trabalho. compreendo, mas convenhamos que estes são balões de verdade, não são cá de plástico! para ti, minha querida, só o melhor que há!

e agora, quem ganha um lugarzinho especial no teu coração?

7.08.2009

:: já podem ver... não há grandes picos de adrenalina no meu dia-a-dia

o momento alto de hoje foi ter despertado o interesse do senhor taxista que me transportou às 17.30. tivesse o sorrizinho maroto que me dirigiu quando eu entrava no carro deixado margem para dúvidas, o cartão de visita que me entregou no fim da corrida (é assim que se diz na gíria da classe) foi a confirmação que faltava! podia ter sido só o meu encanto e simpatia radiante, sim, podia, mas não foi. ora então coloquem-se, por breves momentos, no lugar do senhor taxista enquanto observador da seguinte situação a 3 metros do seu veículo:

17.30. uma menina jovem, no auge dos seus 20 e poucos (vá, muitos!) anos sai do recinto do esplendoroso hotel Pestana Palace, acompanhada de um senhor com um ar mais maduro (bastante mais maduro), mas ainda assim com bom aspecto. saem sorridentes, soltam gargalhadas, trocam duas palavras, ele tira a carteira do bolso, saca de duas notas de 20 e entrega-lhe. ela, tímida, ri-se, não quer aceitar a princípio... mas ele insiste e ela acaba por trazer uma nota de 20€. guarda a nota e entra no taxi.

não entregariam também um cartão com os vossos contactos a esta cliente? ainda por cima tão barata!

o verdadeiro diálogo que o senhor do taxi nunca chegou a ouvir foi o seguinte:
-estava a ver que não me ias deixar falar a reunião toda!
-mas correu bem, não achas?
-lindamente! mas a conversa é sempre a mesma com estes tipos... agora vou para casa, ainda vais ao escritório?
-sim tenho um trabalho para acabar
-apanhas um taxi? não me dá jeito lá ir
-sim deixa-me só ali em alcantara para levantar dinheiro
-toma leva 40€ para o taxi... amanhã pagas-me!