dizias tu que a conversa começou em Havana. jantávamos naquele restaurante onde parecia que existíamos nós os cinco e uma ou duas moscas. os empregados à nossa volta, demasiada solicitude, pouca afluência, comida fraquinha. mas até isso era motivo de brincadeira. estávamos felizes, os cinco. de férias, debitando
nonsense com bebidas de hortelã à frente. para quê boa comida?
e tu largaste, a propósito de uma qualquer conversa: "as pessoas só estão juntas porque têm medo de estar sozinhas". creio que não te surpreendes que hoje em dia essas palavras se tenham tornado num dos nossos chavões sempre que falamos de relacionamentos e queremos brincar contigo.
no fundo somos todas muito diferentes mas partilhamos um certo romantismo (será geracional?) e essas tuas tiradas desafiam-nos a crença. mas o mais engraçado é que tu, apesar desse teu cepticismo meio bruto (que acho que verbalizas só porque tiras algum gozo do facto de conseguires chocar à séria as tuas meninas), és o último dos românticos! um dia destes, digo-te porquê, agora não que neste ponto já deves sentir-te demasiado exposto. sabes que gostamos demais de ti para te ouvir dizer estas coisas, assim à bruta, mas até sei onde queres chegar e acho que tens alguma razão. claro, não deixa de ser uma generalização e isso... vale o que vale!
certo é que dou por mim desde essa conversa a olhar para as pessoas à minha volta e a pensar nisso. e não consigo chegar a uma conclusão, porque Amar é algo diferente para cada um de nós. antes de conseguirmos perceber se as pessoas estão juntas por amor ou motivadas por outra coisa qualquer, era preciso saber: o que é o amor afinal?