em Agosto eu já estava em pulgas pelo ano lectivo seguinte e mal regressávamos de férias começava a insistir nas visitas às papelarias para trazer a pilha de livros da lista que a mãe tinha ido buscar à escola. vocês não entendiam a urgência de folhear aquelas páginas todas a cheirar a pasta de papel e tinta. o prazer dos livros de português virgens, sem riscos, só meus para desvirtuar com desenhinhos imbecis.
e depois, todo o universo do material escolar. os lápis afiadíssimos com os quais apetecia desenhar letras até deixar a ponta mole. os estojos, as mochilas, o apara-lápis e a parafernália da benetton - tinha que ser da bennetton! a canetas de mil e uma cores, para os subilnhados e os tracejados. os esquadros, as réguas, o compasso.
tenho saudades do tempo em que o regresso ao dever era um prazer maior que as férias. e tenho saudades dos nossos serões a forrar os livros com papel autocolante transparente.
