10.10.2009

vou para a rua, apanhar sol na pele e adormecer esta inquietação.
começo as semanas de trabalho com uma fúria estúpida. acordar cedo|deitar tarde|reuniões|brainstorming|litros de café para estimular o cérebro.

à sexta-feira não consigo evitar ser irremediavelmente improdutiva. esta que passou foi a pior de todas. fica o sentimento de culpa e o trabalho acumulado para o fim-de-semana.

e a porra da sensação que cometo tantas vezes precisamente este mesmo erro na vida... com a agravante de que a vida não são 5 dias com um fim-de-semana para recuperar o que não foi feito durante a semana.

10.08.2009

:: estejamos vivos, então!


(...)
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

9.29.2009

:: foi impulso

quando dei por mim estava a comprar a revista Happy, atraída pelo seguinte destaque de capa: "Novo peeling. Chegou o último tratamento anti-rugas"

... é o declínio...

9.28.2009

:: a minha saga legislativa

advertência aos navegantes:
não venho falar de política (até porque disso pouco sei). é de frustrações que trata o post de hoje.

devia ter imaginado logo que a coisa não ia correr bem quando há uma semana fiz o teste aqui e a bússola pendeu para a direita. eu, que sempre simpatizei mais com os que defendem os menos poderosos, com a ideia romântica de um mundo de igualdades, onde o carteiro e o magnata têm ambos condições dignas e direito aos seus Direitos (perdoem a redundância mas Direito é palavra da qual devemos abusar sem medo). devia ter previsto que a coisa não ia correr bem.

ora depois de a dita bússola eleitoral me ter colado ao MMS, um partido assim a atirar para o ridículo (ide dar uma espreitadela no site!), eu, vexada, resolvi não partilhar com muita gente e ficar sossegadinha até ao dia em que iria finalmente poder prestar o meu dever cívico e redimir-me de uma breve inclinação estapafúrdia que afinal - diz a bússola - tenho por uma forma meia parva de fazer política.

não previ nada do que estava para vir e aguardei pacientemente. regressei mais cedo de um fim-de-semana fora de Lisboa para votar.

ao que tudo indica, os senhores da comissão de eleitores terão tido acesso ao resultado desta bússola desvairada e, antes que eu cometesse uma loucura, resolveram vetar-me o voto. deitaram-me à cara que não estou recenseada, que o meu número de eleitor não existe, que não consto dos cadernos e quase que juro que ouvi um rosnado vá para casa descansadinha, ver a telenovela e fazer ponto cruz. nem o meu argumento de que votei há três meses nas europeias, precisamente com os mesmíssimos documentos, os demoveu.

fiquei furiosa, pois claro que fiquei!

ora eu sou uma miúda pouco dada a racionalizações. pode ser pouco abonatório da minha pessoa, mas é a verdade. movem-me sobretudo as políticas sociais, quero um mundo mais justo para os idosos que têm direito a uma velhice digna e gostava que os jovens licenciados não tivessem que aceitar um emprego que paga o ordenado mínimo. defendo o rendimento mínimo com unhas e dentes porque mesmo que haja quem se aproveite do mesmo, sossega-me saber que quem tem um azar na vida, fica acautelado até se recompor. é certo que, apesar de tudo isso, não concordo com a a maior parte das políticas de desenvolvimento económico da esquerda e é claro que um pontapé na economia é fundamental para empurrar o país para a frente, mas como disse, deixo-me levar pelas questões humanísticas. é visceral! não posso fazer nada contra...


9.17.2009