10.17.2009

:: feels like home, kind of...

esta semana:

o regresso a um sítio que me diz muito, um momento chave no meu percurso, não especialmente feliz, mas crucial. uma grande confusão e tudo muito a 100 à hora. o trabalho da semana e o trabalho atrasado e ainda menos tempo para tudo isso. os reencontros, as grandes novidades, o sentimento corporativo ao rubro no seu expoente máximo. saber antes do mundo tudo o que está para acontecer e sermos convencidos que fazemos parte disso.

tudo isto no meio de muita agitação, a previsão de pouco sono, o coração a mil, os sentidos desafiados pelo barulho, as luzes, a multidão, as caras conhecidas e as novas caras.

nunca consigo processar estes desafios todos em tempo real. só passados uns dias, depois de abrandar o ritmo. mas desta vez é diferente, pelo sítio e pelo momento, antecipo e estou expectante. há coisas que não consigo processar para já e esta é a desculpa perfeita para não ter de o fazer.

:: contrastes

detesto aquela avenida quando escurece. está cheia de turistas desinteressados e de pessoas que me perturbam. hoje, enquanto a descia, fiquei presa naquela cena: um homem de meia idade que tinha um buraco na camisa na zona do ombro e a barba escura de três dias. ia de braço dado com uma senhora bastante mais velha, que se esforçava a sério para acompanhar o passo do homem, rápido, rápido, quase em início de corrida. a senhora ficava cada vez mais para trás mas tinha o braço preso no homem. parecia zangado e andava com fúria. ela, torta, cada vez mais em esforço, o ar bondoso tão característico das rugas a dar lugar à aflição... e então apareceu outro homem, mais novo, juntou-se aos dois, perguntou quanto é que a tia tinha feito, ao que o outro respondeu irritado, dois euros e tal, hoje só fez dois euros e tal.

e eu, que até tinha intenção de chamar a atenção para o esforço da senhora, deixei-me ficar. estática. com as entranhas num nó. depois? depois fui ao teatro...

10.15.2009

(...)

és um modelo especial ... à prova de crianças.
assim de chofre! como quem diz: és um colete à prova de balas!

10.10.2009

vou para a rua, apanhar sol na pele e adormecer esta inquietação.
começo as semanas de trabalho com uma fúria estúpida. acordar cedo|deitar tarde|reuniões|brainstorming|litros de café para estimular o cérebro.

à sexta-feira não consigo evitar ser irremediavelmente improdutiva. esta que passou foi a pior de todas. fica o sentimento de culpa e o trabalho acumulado para o fim-de-semana.

e a porra da sensação que cometo tantas vezes precisamente este mesmo erro na vida... com a agravante de que a vida não são 5 dias com um fim-de-semana para recuperar o que não foi feito durante a semana.

10.08.2009

:: estejamos vivos, então!


(...)
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda