1.23.2010

::TPM

quando adormeces com a sensação de que a vida não te pertence.
quando acordas com essa sensação a transformar-se em certeza.
e sabes que o único remédio é o refúgio no lixo televisivo. ou na junk food.
quando nem o facto de ser fim-de-semana diminui a irritação pelo inchaço na barriga e o desejo de batatas fritas mais forte que o habitual.
quando te olhas ao espelho e já não vês frescura no rosto.
quando as obrigações auto-impostas se tornam num fardo demasiado pesado e sucumbes ao laxismo.
quando és obrigada a fazer uma travagem a fundo para respeitar o código e dar passagem a um peão que espera na passadeira e ele ainda te brinda com um olhar indignado "acho bem que tenhas parado, sua merdas!" e tudo o que te apetece fazer nesse momento é acelerar, passá-lo a ferro e fugir com um sorriso nos dentes e o sentido do dever cumprido.

[devo admitir que nestes dias, os instintos homicidas me dão um certo conforto.]

1.22.2010

valeu-lhe o saco de água quente.
só, mas aquecida.
e perguntava-se sempre como, no meio de tanta gente, seria possível afundar-se tão determinantemente na mais profunda solidão.