8.20.2010

despertar ali mesmo, num cantinho assim específico do teu olhar, e em cima da barriga o peso tão suportável do teu braço. não olhes assim para mim nestas manhãs quentes de Agosto que este peso não podemos todos os dias e o hábito nunca foi um luxo nosso.

8.17.2010

que não me tivesse faltado o tempo para te dar só mais isto. tu, que me deste sempre tanto. tudo.
sempre o tempo... e agora o tempo corre tanto, e à medida que corre torna-se imensa e clara a certeza de que o teu lugar era aqui. merecias que eu tivesse tido tempo de te dar este dia.
provavelmente nem percebeste quando te contei. mas eu acho que sim. quase que apostava que sorrriste.

acho que o que mais gostavas era de quando me vias feliz. é verdade, estou feliz.

8.14.2010

:: faz-me mal esta canícula


voyeurismo nas dunas de uma praia qualquer
outro dia, por acaso, [tão por acaso que até foi no metro] numa conversa nada circunstancial, perguntou-me
e gostas do que fazes?

[as pessoas de toda a vida não fazem perguntas incómodas e não é por uma questão de sensibilidade. é porque nos conhecem de trás para a frente. mas os encontros por acaso provocam perguntas destas.]

talvez tenha desconversado. tenho vergonha de dizer que não gosto do que faço. é que não tenho certeza se não gosto [tem dias] e pagam-me bem. sei que isto não se diz aos outros e evita-se sentir. o raio da pergunta pôs-me a pensar. são mais os dias que não gosto, porra. mas pagam bem.

a inevitabilidade dos 30 traz-me esta necessidade, tão irónica meu deus!, de pôr em causa certas escolhas. e não podia haver idade mais imprópria. talvez até já tenha escrito sobre isto [a idade também me permite começar a repetir-me] sobre a janela de opções que se fecha à medida que o meu tempo se fecha também. e sobre o sufoco que trago na nuca por causa disso. é tão minha esta pretensão de pôr as coisinhas todas na sua devida caixinha. de achar que percebo o mundo e as pessoas até cair desta minha teatral superioridade sempre que vejo que não me conheço sequer a mim já com três décadas de convivência comigo própria.

 descobri muito recentemente que tive uma adolescência tardia. a minha aconteceu aos 30.

8.06.2010

Max & Margaux from Shark Pig on Vimeo.

escreverei sobre isto quando conseguir recuperar das coisas que me fez sentir... agora vou ali à casa-de-banho limpar as lágrimas.