9.25.2010

:: as seen in the movies

não os fotografei por pudor, mas mereciam. terna e tão disparatada aquela cena...
a miúda loira pendurada nele afundava-se mais à medida que o comboio se aproximava. ele, jovem, com a sua t-shirt do surf, punha todo o sofrimento no rosto e beijava-a. ainda consegui ouvi-los na despedida, seria a semana mais difícil da vida dele e ela jurava-lhe voltava rápido, eram só cinco dias...
e naquela plataforma, a braços com os empurrões para dentro da composição e com o cheiro a multidão, tive inveja da urgência da juventude, das certezas sobre a vida, de um tempo em que parece que carregamos o peso do mundo às costas e até podemos com ele. e saiu-me isto [tão kitsch como a cena] rabiscado numa factura velha


os primeiros amores têm a forma dos lábios contraídos em beijo, com todas as fissuras dos lábios e a imensa sede de um beijo.

9.19.2010

:: reentrando

ainda faz calor mas já cheira a Inverno. tudo tudo tem sabor a rentrée, as mochilas dos miúdos na rua, as arrumações em casa, Lisboa novamente povoada de gente e folhas no chão.
ainda não tinha havido um tempo como este, tão conscientemente feliz e agora é preciso aprender a deixar a felicidade assentar na rotina, coisa que não sei se algum dia vou saber fazer. não tenho como não pensar nisso de cada vez que atavesso a rua ou cruzo a esquina ou estaciono o carro que hoje só me apeteceu levar sem destino. coisa de Domingo à tarde, talvez.

a porta faz barulho e dizes relaxa. tudo cheira e sabe tanto a rentrée.

aposto que esta praia não é a mesma sem nós.
e eu também sou outra sem ela.

8.20.2010

despertar ali mesmo, num cantinho assim específico do teu olhar, e em cima da barriga o peso tão suportável do teu braço. não olhes assim para mim nestas manhãs quentes de Agosto que este peso não podemos todos os dias e o hábito nunca foi um luxo nosso.

8.17.2010

que não me tivesse faltado o tempo para te dar só mais isto. tu, que me deste sempre tanto. tudo.
sempre o tempo... e agora o tempo corre tanto, e à medida que corre torna-se imensa e clara a certeza de que o teu lugar era aqui. merecias que eu tivesse tido tempo de te dar este dia.
provavelmente nem percebeste quando te contei. mas eu acho que sim. quase que apostava que sorrriste.

acho que o que mais gostavas era de quando me vias feliz. é verdade, estou feliz.