10.09.2010

10.07.2010

O amor tem sempre algo de indelicado, mas conserva a nobreza de se deixar impressionar pela espontaneidade.
Agustina Bessa-Luís

9.25.2010

:: as seen in the movies

não os fotografei por pudor, mas mereciam. terna e tão disparatada aquela cena...
a miúda loira pendurada nele afundava-se mais à medida que o comboio se aproximava. ele, jovem, com a sua t-shirt do surf, punha todo o sofrimento no rosto e beijava-a. ainda consegui ouvi-los na despedida, seria a semana mais difícil da vida dele e ela jurava-lhe voltava rápido, eram só cinco dias...
e naquela plataforma, a braços com os empurrões para dentro da composição e com o cheiro a multidão, tive inveja da urgência da juventude, das certezas sobre a vida, de um tempo em que parece que carregamos o peso do mundo às costas e até podemos com ele. e saiu-me isto [tão kitsch como a cena] rabiscado numa factura velha


os primeiros amores têm a forma dos lábios contraídos em beijo, com todas as fissuras dos lábios e a imensa sede de um beijo.

9.19.2010

:: reentrando

ainda faz calor mas já cheira a Inverno. tudo tudo tem sabor a rentrée, as mochilas dos miúdos na rua, as arrumações em casa, Lisboa novamente povoada de gente e folhas no chão.
ainda não tinha havido um tempo como este, tão conscientemente feliz e agora é preciso aprender a deixar a felicidade assentar na rotina, coisa que não sei se algum dia vou saber fazer. não tenho como não pensar nisso de cada vez que atavesso a rua ou cruzo a esquina ou estaciono o carro que hoje só me apeteceu levar sem destino. coisa de Domingo à tarde, talvez.

a porta faz barulho e dizes relaxa. tudo cheira e sabe tanto a rentrée.

aposto que esta praia não é a mesma sem nós.
e eu também sou outra sem ela.

8.20.2010

despertar ali mesmo, num cantinho assim específico do teu olhar, e em cima da barriga o peso tão suportável do teu braço. não olhes assim para mim nestas manhãs quentes de Agosto que este peso não podemos todos os dias e o hábito nunca foi um luxo nosso.