10.14.2010

:: playtime

é nos aeroportos que acontecem as melhores lições de espera e que nos tornamos exímios na arte de saber partir. não há alegoria mais perfeita da distância e do reencontro.

soubeste ficar sem perguntar naquele dia em que nos despedimos na gate. suspeito que me conhecias melhor que eu própria na altura, já sabias que não sou de sacrifícios [mas também não era pessoa de riscos antes de ter arriscado] isto só para dizer que hoje apetecia-me outra vez partir. a merda é ainda lembrar-me bem que nos regressos fui muito mais feliz do que nas partidas. bastou isto: encontrei sempre gente à minha espera. no fundo é isso que todos queremos, ter alguém à nossa espera

se calhar afinal fico. o comodismo também é virtude se for para contrariar  esta insatisfação.

10.09.2010

10.07.2010

O amor tem sempre algo de indelicado, mas conserva a nobreza de se deixar impressionar pela espontaneidade.
Agustina Bessa-Luís

9.25.2010

:: as seen in the movies

não os fotografei por pudor, mas mereciam. terna e tão disparatada aquela cena...
a miúda loira pendurada nele afundava-se mais à medida que o comboio se aproximava. ele, jovem, com a sua t-shirt do surf, punha todo o sofrimento no rosto e beijava-a. ainda consegui ouvi-los na despedida, seria a semana mais difícil da vida dele e ela jurava-lhe voltava rápido, eram só cinco dias...
e naquela plataforma, a braços com os empurrões para dentro da composição e com o cheiro a multidão, tive inveja da urgência da juventude, das certezas sobre a vida, de um tempo em que parece que carregamos o peso do mundo às costas e até podemos com ele. e saiu-me isto [tão kitsch como a cena] rabiscado numa factura velha


os primeiros amores têm a forma dos lábios contraídos em beijo, com todas as fissuras dos lábios e a imensa sede de um beijo.