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12.26.2014

:: para além daquele amor excessivo, o que nos resta?

sim, o amor também é isto - um leve tocar de pés debaixo da manta no sofá, em frente à TV.
é preciso deixar entrar a normalidade apesar de todos os medos, senão era só desejo. nem que isso implique aceitar os perigos desse monstro - a normalidade - e saborear apenas uma noite fria debaixo da manta no sofá.
é até aconselhável ceder interrupções ao amor explosivo porque amar assim, cansa. não tem espaço para os outros, para o trabalho, para nós próprios. esse amor subsiste na cama, alimenta-se de beijos e sexo e respira pelas narinas do outro, sua pelos poros do outro.
vamos lá então deixar cair a normalidade, aceitar uma ou outra certeza, mas não nos esqueçamos como nos apaixonámos ali, no átrio daquela igreja, em cinco segundos.

bem sei que não controlamos nada, 
nem o amor, nem nós próprios por isso, olha... pega a minha mão e leva-me.

11.06.2013

:: just another ordinary day

a noite a cair sobre a avenida. luzes ainda apagadas mas a poucos minutos de se acenderem. a carrinha estacionada com os homens que vêm pôr os enfeites de Natal. é demasiado cedo para ser Natal.

na esquina, a loja de luxo que vai abrir e o casal que faz da rua a sua casa. a senhora e o senhor, sessenta e picos, mãos dadas. um amor ainda recente, vê-se. têm um cão, um saco cama duplo  e uma mesa de cabeceira com flores de plástico num copo. o amor dá vontade de ter flores por perto.

desço a rua com a malta. fala-se do sentido da vida e do papel da religião. eu penso só que gosto mesmo dos desenhos da calçada. o vento entra pelo fundinho das costas, aquele arrepio.
foi só mais um dia de trabalho e no fim uma bebida no quiosque. a noite a cair, o grupo reunido e copos de cerveja demasiado gelada para este dia de Outono. ouvem-se gargalhadas nesta mesa. fumam-se cigarros na mesa ao lado. há uma tosta grande a fumegar nas mãos de uma miúda e o rapaz do bar parece achar-lhe graça.

no outro passeio o senhor beija a senhora. ela ri muito, tem vergonha. agasalha o cão devidamente e pede uma moeda a uma rapariga que passa. entretanto, no quiosque, os copos da cerveja já estão vazios.

11.05.2013

Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.  

Clarice Lispector                                                                                               

4.10.2013

agrada-lhes
serem assaltados pela surpresa todas as vezes que pensam encontrar,
dentro das pequenas fendas do desejo,
pedaços de uma certeza violenta do reencontro de dois corpos ancestrais

2.18.2013

:: o Amor, MEC, o Amor...

um dia, Miguel, escreveste um livro inteiro sobre amores fodidos. eu tinha 14 anos, li-te com 17 e não percebi nada nessa altura. por volta dos 20 percebi tudo e de há uns anos para cá, quando leio as tuas crónicas, acho que percebo outra vez. o amor é bonito, não é fodido, mas é difícil. o amor é sobretudo difícil.

"Quem é que tem a sorte de ter um amor dele ou dela que ama ou que tem, seja amado ou amada? Tenho eu e conheço muitas pessoas que já têm ou que vão ter. Mas, tal como todos os outros apaixonados e todas as outras apaixonadas, desconfio, com calor na alma, que ninguém tem o amor que eu tenho pela Maria João, meu amor, minha mulher, minha salvação.
O amor sai caro — medo de perdê-la, medo do tempo a passar, medo do futuro — mas paga-se sem se dar por isso. Mentira. Dá-se por isso só nos intervalos de receber, receber, receber e dar, dar, dar.
Basta uma pequena zanga para parecer que todo aquele amor desmoronou: “Onde está esse teu apregoado amor por mim (de mãos nas ancas), agora que eu preciso dele?”
Quanto maior o amor, mais frágil parece. Quanto maior o amor, mais pequeno é o gesto que parece traí-lo. Mas com que alegria nos habituamos a viver nesse regime de tal terror!
Maria João, meu amor: o barulho que faz a felicidade é ouvires-me a perder tempo a resmungar e a pedir que tudo continue exactamente como está, para sempre. Que nada melhore. Que não tenhamos mais sorte do que já temos. Que nada mude nunca, a não ser quando mudamos juntos. E que fiquemos sempre não só com o que temos mas um com o outro.
É este o tempo que eu quero que dure, tu és o amor que eu tenho. Nunca te demores quando estás longe de mim, tem sempre cuidado, trata-te nas palminhas, que, cada vez que olho para ti, o meu coração cresce e eu amo-te cada vez mais."(MEC)

2.14.2013









what you were
will not happen again.
the tigers have found me
and I do not care.

- Charles Bukowski -

lushust:

so cool

11.06.2012





ontem uma fraqueza no corpo. disseste minha carochinha e fizeste-me uma festa na cabeça. já não ouvia isso há tanto tempo... voltei a ser criança outra vez, na tua casa, inundada por um carinho que nunca senti tão grande por ninguém. gostar assim faz fugir a força das pernas.

6.26.2012

:: yes. I plan to forget you. again

somos assim, intermitentes.
vens e vais. hoje percebi que não tarda te vais outra vez, a boa notícia é que já não me apanhas de surpresa. sempre fui boa a ler os sinais, eu é que achava que não.

5.15.2012

:: I am free and that's why I am lost

gostar de ti é uma ilusão.
mais do que gostar de ti é gostar da ideia de tu gostares de mim.
mais do que sentir que os nossos corpos são feito um do outro, é poder ter-te no meu quarto às escuras.
mais do que o arrepio que salta da ponta de uns dedos a passear na curva da minha anca, é um abraço.
mais que o antes: carne e sangue e corpos suados, é o depois: a sombra da persiana nas tuas costas.
mais do que uma história que nasce nossa, são as histórias que inventas para mim.
mais do que inquietação, é segurança.
mais do que sentir saudade, é esta urgência de ficar perto. esta urgência eu não entendo mas não é gostar. gostar é uma ilusão.

3.19.2012

há Amores sobre os quais não costumamos pensar. são Amores incondicionais, que os há, e ser incondicional é o que basta para os guardarmos num cantinho do cérebro que anda normalmente ocupadíssimo com outras coisas superficiais. na verdade é um contrasenso porque são esses Amores, com pouco espaço no dia-a-dia, que nos ocupam o coração todo.
sei disso nos dias em que te bato à porta e vertes sobre mim toda a doçura do teu olhar só para me dar as boas-vindas. nem sempre tens uma palavra carinhosa mas o teu abraço tem todo esse Amor escondido nos gestos.
eu sei que não és homem de dizer coisas bonitas e, embora gostasse, não é preciso porque tens os braços e as mãos maiores do mundo para me segurar quando estou a cair. usaste-os mil vezes quando te fugia para o mar alto na praia e usaste-os agora, ainda maiores, já adulta, quando dei o maior trambolhão de todos.
posso não ser perfeita e ambos sabermos disso, é o que torna este Amor melhor que qualquer outro e mais verdadeiro. não acaba nunca.
às vezes lembro-me do avô, de como és tão diferente dele mas igualmente capaz de estender os teus braços até ao fim do mundo para me trazeres de volta a um lugar feliz.

3.11.2012

à medida que crescemos o amor torna-se-nos mais difícil
é o único caso em que a experiência e o saber não ajudam, só introduzem ruído.

3.03.2012

:: pleased to meet you. how many girls have tou had?

podia facilmente apaixonar-me por um homem apenas pelo que escreve, pela forma como escreve.
podiam bastar-me as palavras que usa e a experiência que delas destila. afinal há homens pensam de uma forma parecida com a nossa mas não conheci nenhum que deixasse perceber isso no dia-a-dia, ou então é inaptidão minha.
quase que podia ser seduzida pela descrição do pormenor que fez um homem começar a amar uma mulher, pelos recursos estilísticos que usa para explicar o sexo com ela. acho que podia apaixonar-me mesmo que essa mulher não fosse eu.
lia noutro dia a melancolia que um homem usava para recordar algumas das mulheres que já amou, o timbre da voz de uma, o entusiasmo que outra punha nas coisas mais simples. surpreende-me sempre que um homem guarde junto dele o rasto que uma mulher lhe deixou porque tenho a mania de achar que eles são seres do presente.
se há coisa que invejo em certos homens é a habilidade que a experiência lhes deu para entender o outro. podia apaixonar-me por isso também. no fundo acho que admiro mais um homem que se apaixone muitas vezes, que aqueles que têm sérias dificuldades em amar.
à partida gosto de homens experientes na vida e no amor, o lixado depois é saber lidar com isso.

2.06.2012

:: a rapariga que não chorava por amor

quando o ouviu dizer meu Deus, quero a curva do teu pescoço
ela pensou que há horas que são habitadas de uma perfeição tão grande que não podem voltar a repetir-se no tempo.
ele nunca dormia. e ela sabia que devia desconfiar quando ele não adormecia, mas escorraçava essa nuvem e fechava os olhos no seu peito, deixava que o cabelo lentamente se inundasse daquele cheiro perfeito que resultava da mistura do seu shampoo com o perfume dele. podia tomar mil banhos que o perfume não a largava nunca. e podia tomar mil banhos sem nunca estar limpa daquele desejo atordoado.
nunca vertera uma lágrima de todas as vezes que não a quiseram. e quando o momento chegasse ela não choraria de novo.
já sabia tudo isto de antemão. que ele não ficaria. que não se lembraria mais do seu nome, ou de como em tempos respirara pela sua boca. não choraria porque não há impulsos para lágrimas entre aqueles que reconhecem um fim em cada princípio.

1.30.2012

:: a metafísica do amor

não queiras sufocar uma história impondo-lhe outra. é como tentar escrever outras palavras num papel já cheio de letras. não há espaço.
pega num papel em branco, pode ser pautado. é preciso começar do zero, com uma caneta nova, com palavras virgens, inventá-las se for preciso. deixa a criatividade escorregar para a ponta dos dedos e lança-te na construção de um caminho fresco.
por favor, escolhe lugares inócuos, cria rotinas só vossas, não pegues nos nossos porque esses são reféns de um outro amor. esses já estão preenchidos com história antiga, com outras coisas que se disseram, com promessas idas.
não queria ser eu a dizer-te isto, mas há memórias que são indeléveis.
dessas, que as fizemos nós,
não temos como nos livrar.

1.24.2012

queria saber dizer-te que gostava que usasses a tua coragem para ires ficando
e que a soubesses usar também para não me deixares partir

1.18.2012

esperou que toda a gente fosse embora  e, no meio da sala vazia, disse-lhe, rematando o tema só entre os dois

gosta-se de quem nos acontece gostarmos.

fazia parte dos que acreditam na  inevitabilidade do amor.
quanto a ela, ficou dividida. às vezes acha a ideia incrivelmente romântica. outras, apenas trementamente aleatória.

12.24.2011

:: o beijo


chegue rápido aquele micro instante antes de adormeceres durante o qual tudo é tão limpo e tão claro.
segura esse instante e imagina um beijo que prova o toque da tua pele. um beijo suave, alheio à tensão que descarrega e recarrega.
sente então nos teus lábios toda a doçura do mundo.
prende-me nesse beijo e, com força, rasga-me a tristeza.