outubro é mês de regressar a casa
e procurar ainda nos poros um pedaço de tacto perdido.
de esperar da chuva um hálito fresco familiar embora
nem sempre nos intervalos das gotas haja respostas para a desilusão dos homens.
em outubro os amantes não são feitos de palavras, de segredos, ou de promessas.
são gente de carne, e osso, e sangue, que se encontra num deserto comum para adiar o desamparo
de demasiadas ausências.
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10.24.2013
4.10.2013
12.27.2012
horas depois do fim ele escreveu num papel a frase que já lhe dissera antes, sinto a tua falta como se vivesses em mim. estava escrito, podia ser visto por quem quisesse e soubesse. aquela dor podia ser lida por toda a gente a quem o vento levasse o papel. decidiu que a dor dele seria de quem o vento escolhesse. quis, ao escrevê-la, livrar-se dela porque já nem o seu peso nas lágrimas conseguia suportar.
ao mesmo tempo, na outra ponta da cidade ela também chorava sentindo nas veias o peso da decisão. sabia que podia ter escolhido partir antes do tempo, se é que existe tempo nestas coisas da paixão. não sei se amanhã vou sentir falta do teu corpo na cama, mas hoje ainda procuro o teu abraço, ainda sinto a tua mão no meu peito.
durante anos nunca mais se viram, nunca voltaram a falar-se, mas ele ainda a lembra descalça pela casa e em algumas noites mais rigorosas ela ainda acorda durante a noite sentindo a boca dele na sua nuca.
ao mesmo tempo, na outra ponta da cidade ela também chorava sentindo nas veias o peso da decisão. sabia que podia ter escolhido partir antes do tempo, se é que existe tempo nestas coisas da paixão. não sei se amanhã vou sentir falta do teu corpo na cama, mas hoje ainda procuro o teu abraço, ainda sinto a tua mão no meu peito.
durante anos nunca mais se viram, nunca voltaram a falar-se, mas ele ainda a lembra descalça pela casa e em algumas noites mais rigorosas ela ainda acorda durante a noite sentindo a boca dele na sua nuca.
7.10.2012
::a wall dos bobos
no peito dele, a mesma angústia de antes. na wall dela, as férias, as festas, a leveza e nem rasto da presença dele na vida dela.
a wall dela é pública. o peito dele é privado.
a wall dela é pública. o peito dele é privado.
6.15.2012
:: às vezes um precipício é preciso
começas a sorrir e já sei que se vai abrir um buraco estreito e comprido na tua bochecha direita. segundo a minha perspectiva, na tua bochecha esquerda. não é um buraco redondo perfeito, é mais como se fosse um rasgão, como se o teu sorriso para mim abrisse na tua face essa cavidade rasgada de propósito para receber os meus pingos enquanto derreto. é esse efeito que que a tua cova tem em mim - encolhe-me - quase fico suficientemente pequena para fazer caber nela o meu corpo todo.
de todas as tuas partes, foi esta a que decorei primeiro. é o meu precipício, e às vezes um precipício é preciso, mesmo que já tenhamos aprendido que não é possível gerir o desiquilíbrio durante muito tempo.
de todas as tuas partes, foi esta a que decorei primeiro. é o meu precipício, e às vezes um precipício é preciso, mesmo que já tenhamos aprendido que não é possível gerir o desiquilíbrio durante muito tempo.
5.07.2012
:: and Winter turned into Summer
havia dias em que acordava sentindo que na sua cama seria sempre Inverno embora a Primavera tivesse chegado faz tempo.
a música de uma certa manhã ficara dias a fio com ela e naquela hora, outra vez a mesma frase broken hearts never heal, they only adjust. o hábito recente de acordar com música às vezes era incómodo... aquela ideia foi ficando com ela, enresinou-se nela.
muito depois disso, talvez até já fosse Verão, voltou a lembrar-se da música a meio de uma conversa, ou de um conselho.
o amor está aí, se quisermos que esteja. só é preciso saber ver que está embrulhado em beleza e escondido nos segundos da tua vida. se não parares, por um minuto, podes perdê-lo.
embora ouvir aquilo a enternecesse, respondeu, fiel à música, já ninguém acredita nisso. e ele disse-lhe apenas estás enganada, toda a gente ainda acredita.
4.09.2012
:: às vezes a melancolia
vi-o uma primeira vez ligeiramente ao longe num miradouro de Lisboa, num dos mais bonitos. era uma noite quente para Outubro ou Novembro e ele pareceu-me bem. já não sei o mês ao certo que o tempo tem esta coisa de se diluir nas pessoas que nos marcam, mas a relevância do tempo é pequena nesta história.
sei que semanas depois dessa noite no miradouro, um dia a pele. e foi como se me beijassem por dentro. e em toda essa certeza da pele eu passei a imaginar uma estrada nacional só para nós, uma praia só para nós, um caminho de moinhos de vento onde não tivéssemos que nos cruzar com mais ninguém. mas nada disso éramos nós os dois. fui sempre só eu e sabíamos, mas continuávamos, deslumbrando-nos um ao outro, embora sabendo-nos no fundo incapazes de voltar a amar. quis existir com ele sem esforços, mas não houve lugar para nós além da pele.
sei que semanas depois dessa noite no miradouro, um dia a pele. e foi como se me beijassem por dentro. e em toda essa certeza da pele eu passei a imaginar uma estrada nacional só para nós, uma praia só para nós, um caminho de moinhos de vento onde não tivéssemos que nos cruzar com mais ninguém. mas nada disso éramos nós os dois. fui sempre só eu e sabíamos, mas continuávamos, deslumbrando-nos um ao outro, embora sabendo-nos no fundo incapazes de voltar a amar. quis existir com ele sem esforços, mas não houve lugar para nós além da pele.
4.02.2012
passar-se-iam anos e ele não recuperaria nunca o momento exacto em que se apaixonara por ela, embora muitas vezes puxasse para si a memória dos tempos em que se conheceram e aí vasculhasse a origem daquela certeza a ferir-lhe o sangue. precisava perceber primeiro como o amor nascera nele para depois o poder explicar à criança. a uma criança não basta dizer que, a certa altura, sem sequer ter sido preciso um beijo, soubera que não queria viver mais nenhum dia sem a abraçar.
mas no fundo fora tão simples quanto isso.
mas no fundo fora tão simples quanto isso.
3.09.2012
nunca tinham dado as mãos, gostavam de conversar mas não sabiam terminar uma conversa sem se desentenderem. teimosa dizia-lhe ele. teimoso, respondia ela.
um dia, apesar de nunca lhe ter visto uma lágrima, perguntou-lhe se chorava com muita facilidade, assim como quem pergunta qual é o filme preferido. ela acenou que sim mas explicou que embora chorasse com facilidade também ria alto e com vontade muito frequentemente. e achou que valia a pena acrescentar que isso não fazia dela uma pessoa desequilibrada. ele concordou que não se tratava de uma questão de equilíbrio e disse-lhe que o que ela tinha era muita garra emocional.
e então ela deu-lhe a mão, apesar de saber que nesse momento aquelas duas mãos uma na outra eram a única coisa que os unia.
um dia, apesar de nunca lhe ter visto uma lágrima, perguntou-lhe se chorava com muita facilidade, assim como quem pergunta qual é o filme preferido. ela acenou que sim mas explicou que embora chorasse com facilidade também ria alto e com vontade muito frequentemente. e achou que valia a pena acrescentar que isso não fazia dela uma pessoa desequilibrada. ele concordou que não se tratava de uma questão de equilíbrio e disse-lhe que o que ela tinha era muita garra emocional.
e então ela deu-lhe a mão, apesar de saber que nesse momento aquelas duas mãos uma na outra eram a única coisa que os unia.
2.06.2012
:: a rapariga que não chorava por amor
quando o ouviu dizer meu Deus, quero a curva do teu pescoço
ela pensou que há horas que são habitadas de uma perfeição tão grande que não podem voltar a repetir-se no tempo.
ele nunca dormia. e ela sabia que devia desconfiar quando ele não adormecia, mas escorraçava essa nuvem e fechava os olhos no seu peito, deixava que o cabelo lentamente se inundasse daquele cheiro perfeito que resultava da mistura do seu shampoo com o perfume dele. podia tomar mil banhos que o perfume não a largava nunca. e podia tomar mil banhos sem nunca estar limpa daquele desejo atordoado.
nunca vertera uma lágrima de todas as vezes que não a quiseram. e quando o momento chegasse ela não choraria de novo.
já sabia tudo isto de antemão. que ele não ficaria. que não se lembraria mais do seu nome, ou de como em tempos respirara pela sua boca. não choraria porque não há impulsos para lágrimas entre aqueles que reconhecem um fim em cada princípio.
ela pensou que há horas que são habitadas de uma perfeição tão grande que não podem voltar a repetir-se no tempo.
ele nunca dormia. e ela sabia que devia desconfiar quando ele não adormecia, mas escorraçava essa nuvem e fechava os olhos no seu peito, deixava que o cabelo lentamente se inundasse daquele cheiro perfeito que resultava da mistura do seu shampoo com o perfume dele. podia tomar mil banhos que o perfume não a largava nunca. e podia tomar mil banhos sem nunca estar limpa daquele desejo atordoado.
nunca vertera uma lágrima de todas as vezes que não a quiseram. e quando o momento chegasse ela não choraria de novo.
já sabia tudo isto de antemão. que ele não ficaria. que não se lembraria mais do seu nome, ou de como em tempos respirara pela sua boca. não choraria porque não há impulsos para lágrimas entre aqueles que reconhecem um fim em cada princípio.
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